segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Linearidade Da Nossa História

Meus versos não gritam mais teu corpo,
Nem meus poros.
Melhor.
Por ter morrido em mim,
Renasci.
Brotou em mim a flor,
Cheia de cor.
Você voltou.
Morri.
A flor ficou
Você cuidou, se apaixonou...
Minha alma está alí.

Aquela Mulher Forte

Quem te criou foi mulher,
Que te mostrou o que é ser mulher,
Mas esqueceu de jogar a força do teu nome
Pro que é sensível.
Ela foi julgar a falta de nível dos seus sonhos
E esgotou todo o tempo que sobrava.
Assim, se tornou mulher brava,
Só que sem maiores esperanças,
Sem as demais alianças,
Sem sensibilidade,
Sem nada.
Consequentemente,
Você ficou vaga.

Vertigem

“Oprimido ou opressor?”
Questionei-me quando perguntaram sobre minha origem.
Vertigem talvez seja o que eu sou, ou sinta.
Maneira suscinta do diabo infiltrar nas cabeças ingenuamente indistintas:
Coloca um véu sobre as ações,
Faz com que o individuo destrua todas as contruções
[metafísicas ou não].
Tirei o que encobria a visão.
Olhei pro chão: sou eu quem o fiz arrastar ali.
Olhei pra cima: é ele quem me faz estagnar aqui.
Estou em momento de transição,
Mas qual seria – se eu pudesse escolher –
A melhor posição
[Levando em consideração a vontade de dormir sem culpa
E poder alimentar-me cada vez mais de compaixão]?

sábado, 15 de maio de 2010

Talvez

Talvez, de tanto amar o homem se esqueça do amor.
Não porque se põe à chorar, mas porque se põe a compor.
Vira música a vida, e entre acordes e batidas,
Vai se diluindo o impulso do querer.
Quando começa a perceber,
Não se sabe mais quem domina:
As cordas com as rimas
Ou os desejos, que são frutos dessa ausência de paz.
Digo isso porque sou homem,
E porque talvez eu tenha amado demais.
Mas, me encontro aqui:
Preso no som dessas notas
Que gritam meu passado (qual não lembro).
E, num lamento,
Espero, atento, as respostas
Das perguntas que talvez não me interessem mais.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Só?

Andando pelas ruas que nunca pensou em passar
Descobriu, talvez, o que queria [ou não]:
O ser humano é só!
Nasce sozinho, morre sozinho e queria entender
Por que tem gente acreditando que
Necessariamente ele vai ter passos acompanhados.
As duas pernas e dois braços, olhos e ouvidos
Devem servir justamente pra isso, concluiu:
Se não conseguir solucionar algum problema com um,
A gente usa o outro.
A partir dessa conclusão, tudo ficou mais simples [ou não]:
Olhou pro mundo e sentiu uma desilusão imensurável.
A verdade que havia criado matou todas as suas expectativas.
Por mais que antes ela se desiludisse com quem depositava seus sonhos,
Ainda existia a esperança de encontrar outro ser melhor.
Onde, agora, guardaria suas ilusões?
Pegou todas elas e jogou no primeiro lixo.
À alguns metros de distância, olhou pra trás
E viu o mendigo feliz, recolhendo-as
Tirou outra conclusão [essa era definitiva]:
“O ser humano é só, mas a vida exige outros”.
Para ratificá-la
Olhou pro seu órgão sexual e percebeu:
Esse, eu tenho um só.

Derradeiro

Vai embora
Como quem chora:
Não se conforma com o que é imposto,
O desgosto entala na garganta.
Sabia que o momento derradeiro viria,
Que a falsa alegria
Iria diluir além de seus sonhos, sua alma.
Pede calma ao corpo que não domina mais,
A paz já não chama atenção.
Sabe que jamais vai chegar aonde quer,
Nunca foi assim!
Se pudesse, colocaria fim à matéria que tem seu nome,
Mas as forças que tinha
Agora é ele quem as consome.

domingo, 2 de maio de 2010

Para Nunca Mais

O silêncio dos seus passos ecoaram em mim.
Nada mais tem voz,
Só o desejo de ainda te ter,
Só a vontade de dizer que te aceito em qualquer condição.
Mas não. Calarei essas ânsias,
Com a vaga esperança de que meus passos
Vão me guiar pra algo concreto,
Que meus novos laços
Vão me fazer sonhar
Com olhos não mais incertos.
Ignoro minhas lágrimas,
O punhal cravado no peito,
A vontade de gritar que de qualquer jeito
Quero estar ao seu lado.
Eu vou partir para aonde não quero
E, sinceramente, não sei o que espero
Além de teu ser entranhado em outra imagem.
Estive de passagem no teu reino
E o que furtei dele
Foi a certeza de que existem mais seres inseguros no mundo,
Além de mim.
Que sejamos, então, felizes assim:
Para nunca mais.