terça-feira, 3 de agosto de 2010

Não

Não.
Dessa vez não vou cuspir meus absurdos verbais,
Nem pedir paz pro que não tem.
Quero apenas repousar-me com a certeza de que amanha ninguém e nada vai ser meu.
[antes a certeza do não, do que as infinitas possibilidades do talvez, talvez]
O que você fez [ou faz] é enxergar o mundo de maneira oposta à minha.
Alias, oposição seria uma das poucas palavras que nos definiria.
E falo isso no passado, porque não há mais presente.
Sua ausência começa a pesar nos meus passos e olhos.

[19/03/2010]

domingo, 20 de junho de 2010

Cama dos (Des)Desejos

Estavam os dois ali, mais uma vez.
Seria costumeira aquela situação se não fosse a inconstância que alimentara os últimos encontros.
Não eram mais nada além de corpos-imãs, que repeliam-se antes de se chocarem de vez e produzirem uma poesia muda de palavras cortantes, de desejos gritantes, de um passado que impedia e ao mesmo tempo pedia a proximidade deles.
Por trás dos olhos dele haviam verdades que o corpo dela despercebia, mas sua alma não. E quanto mais ele penetrava aquelas rimas ritmadas, a boca dela declamava calada a vontade e, sobretudo, a necessidade de inspirá-lo sempre mais.
A cama era o mar de versos eternos, e os dois, peixes que eram, nadavam na poesia que sempre criavam... [Poetas! Seres inconstantes, de alma errante, donos dos desejos complexos e, ao mesmo tempo, profundos.]
Por isso, não saíam dali sem deixar em seus corpos um buraco obscuro, o qual tento clareá-lo pra talvez assim transformar os dois em exemplo àqueles que também não sabem tirar do “mudo” a poesia que quer, que implora, que precisa ser gritada nos ouvidos dos amantes espalhados no mundo.

[É preciso entendê-los de maneira urgente, antes que seja tarde e a poesia se dissolva no vento, no tempo, nas mágoas...]

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sem Véu

De repente as coisas ficaram mais claras. Quando a gente percebe que tem um véu encobrindo os nossos olhos e o tira, a claridade machuca. Apesar da dor, esclarece o que antes era obscuro e pro inseguro talvez surja um “adeus”, mesmo que breve. Revendo os textos que escrevi até aqui, admirei-os. O véu também tem suas vantagens. Traz o que prefiro chamar de utópico e faz com que minhas frases se tornem, cada uma, o berro de uma alma que não sei mais se existe de fato, ou se é construção. Escolhi, dessa vez, deixar de lado meus versos rimados e tranferir meu desabafo de modo semelhante à maneira como começei, a partir de hoje, a perceber as relações que tive até então: uma linearidade pacata, uma verdade sem graça, um cotidiano comum, como o de todos. Não sou especial. As relações que construí não são especiais, e é preciso de uma vez por todas que eu aceite isso, crave esse punhal de sinceridade em meu peito e siga convicta de que as verdades dos dias não são tão utópicas. Só assim, acredito, vou conseguir levar a diante quem sou, e não quem as relações que idealizo me transformam. Sou só. E sou de carne e osso como todas as outras pessoas. Os meus sonhos não são vistos como fato, é preciso que eu aceite [repito, para que isso se fixe na minha cabeça]. Talvez eu enlouqueça com minha descoberta. A dor cada vez mais aperta em mim. Jogar fora todas as idealizações é matar a si mesmo, é ver cair, de pedaço em pedaço, todas as histórias que não são nada mais que construções abstratas. Olho-me no espelho e me arrependo. Não sei se esse sentimento se relaciona a verdade que hoje descobri, ou não a ter me permitido idealizar mais, já que a certeza de que os sonhos iam se diluir era fato, mas o proveito que eu poderia ter tirado disso tudo, era inexato.
E aqui estou, como mais uma humana qualquer, como mais uma matéria oca...

domingo, 30 de maio de 2010

Ritual dos Vícios [ou de mim]

Sim,
Dou chance aos vícios.
Percebi isso hoje.
Talvez porque dizem que eles aliviam,
Ou contaminam.
Gosto de ser contaminada por algo que não vem espontaneamente,
Simplesmente porque as minhas escolhas me relatam.
Sempre me vicio em homens pacatos,
Porque também sou.
Meu fumo fede,
Como a mim.
E assim, numa espécie de ritual,
Celebro meu ser
E provoco minha morte.
Sorte: minha vida pacata, celebrada,
Transformou-se em arma
A favor da chance desestimulante de viver.

sábado, 29 de maio de 2010

Tempestade

Não me venha falar que é exagero tudo o que digo ou desejo...
São apenas as minhas verdades.
Acho uma atrocidade ouvir você dizer que não faço sentido
Se o que tem dado rumo aos meus passos,
Foi o que absorvi dos teus atos.
Confesso que talvez a complexidade tenha tomado conta do meu corpo.
Mas não julgue como louco o meu pensamento,
O meu sofrimento,
O meu fervor diante da sua desordenada presença.
Intensa é a forma como eu te quero comigo e também longe.
Não premedito aonde isso tudo vai chegar.
O mar que abrigo começa a ficar em ressaca
E eu não sei o que mais vou ter que destruir
Pra tomar coragem e partir sem suas marcas,
Sem sua normalidade que angustia

E mata.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Espelho

Vê escorrer por mim todos os meus pedaços.
Como uma vela que vai se apagando
Sentindo, ao poucos, a dor que grita arranhando todo o corpo.
Feito louco, observa e não diz nada.
Estou contaminada pelo seu vazio.
O cenário está cada vez mais sombrio
E eu também, como sua alma.
Pede-me calma, mas não ameniza meus conflitos,
Lança-me sorrisos, mas não absorvo nenhum.
O que há de comum em nós,
Que me transformou em espelho do teu ser?
Que me fez jogar fora toda esperança no alvorecer da vida,
E as forças pra dar início a quantas partidas
Fossem necessárias?
Arbitrárias foram as condições que nos trouxeram até aqui:
No limite,
Que só podia ser triste,
Que só podia ter como ponto final
Minha luz apagada,
Minha alma acabada,
Meus sonhos desbotados como as roupas do teu varal.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema Mentiroso

E quando vou falar dos teus passos,
Vejo os meus correndo pros seus braços,
Querendo intensificar ainda mais os laços
Que me transformam em escrava da tua alma.
A minha grita a tua,
Implora.
[Enquanto a outra me devora sem dó.]
E cada hora que elas passam unidas,
A mente fica munida
Da ausência do pavor que é pensar na minha vida
Sem a tua.