Talvez, de tanto amar o homem se esqueça do amor.
Não porque se põe à chorar, mas porque se põe a compor.
Vira música a vida, e entre acordes e batidas,
Vai se diluindo o impulso do querer.
Quando começa a perceber,
Não se sabe mais quem domina:
As cordas com as rimas
Ou os desejos, que são frutos dessa ausência de paz.
Digo isso porque sou homem,
E porque talvez eu tenha amado demais.
Mas, me encontro aqui:
Preso no som dessas notas
Que gritam meu passado (qual não lembro).
E, num lamento,
Espero, atento, as respostas
Das perguntas que talvez não me interessem mais.
sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Só?
Andando pelas ruas que nunca pensou em passar
Descobriu, talvez, o que queria [ou não]:
O ser humano é só!
Nasce sozinho, morre sozinho e queria entender
Por que tem gente acreditando que
Necessariamente ele vai ter passos acompanhados.
As duas pernas e dois braços, olhos e ouvidos
Devem servir justamente pra isso, concluiu:
Se não conseguir solucionar algum problema com um,
A gente usa o outro.
A partir dessa conclusão, tudo ficou mais simples [ou não]:
Olhou pro mundo e sentiu uma desilusão imensurável.
A verdade que havia criado matou todas as suas expectativas.
Por mais que antes ela se desiludisse com quem depositava seus sonhos,
Ainda existia a esperança de encontrar outro ser melhor.
Onde, agora, guardaria suas ilusões?
Pegou todas elas e jogou no primeiro lixo.
À alguns metros de distância, olhou pra trás
E viu o mendigo feliz, recolhendo-as
Tirou outra conclusão [essa era definitiva]:
“O ser humano é só, mas a vida exige outros”.
Para ratificá-la
Olhou pro seu órgão sexual e percebeu:
Esse, eu tenho um só.
Descobriu, talvez, o que queria [ou não]:
O ser humano é só!
Nasce sozinho, morre sozinho e queria entender
Por que tem gente acreditando que
Necessariamente ele vai ter passos acompanhados.
As duas pernas e dois braços, olhos e ouvidos
Devem servir justamente pra isso, concluiu:
Se não conseguir solucionar algum problema com um,
A gente usa o outro.
A partir dessa conclusão, tudo ficou mais simples [ou não]:
Olhou pro mundo e sentiu uma desilusão imensurável.
A verdade que havia criado matou todas as suas expectativas.
Por mais que antes ela se desiludisse com quem depositava seus sonhos,
Ainda existia a esperança de encontrar outro ser melhor.
Onde, agora, guardaria suas ilusões?
Pegou todas elas e jogou no primeiro lixo.
À alguns metros de distância, olhou pra trás
E viu o mendigo feliz, recolhendo-as
Tirou outra conclusão [essa era definitiva]:
“O ser humano é só, mas a vida exige outros”.
Para ratificá-la
Olhou pro seu órgão sexual e percebeu:
Esse, eu tenho um só.
Derradeiro
Vai embora
Como quem chora:
Não se conforma com o que é imposto,
O desgosto entala na garganta.
Sabia que o momento derradeiro viria,
Que a falsa alegria
Iria diluir além de seus sonhos, sua alma.
Pede calma ao corpo que não domina mais,
A paz já não chama atenção.
Sabe que jamais vai chegar aonde quer,
Nunca foi assim!
Se pudesse, colocaria fim à matéria que tem seu nome,
Mas as forças que tinha
Agora é ele quem as consome.
Como quem chora:
Não se conforma com o que é imposto,
O desgosto entala na garganta.
Sabia que o momento derradeiro viria,
Que a falsa alegria
Iria diluir além de seus sonhos, sua alma.
Pede calma ao corpo que não domina mais,
A paz já não chama atenção.
Sabe que jamais vai chegar aonde quer,
Nunca foi assim!
Se pudesse, colocaria fim à matéria que tem seu nome,
Mas as forças que tinha
Agora é ele quem as consome.
domingo, 2 de maio de 2010
Para Nunca Mais
O silêncio dos seus passos ecoaram em mim.
Nada mais tem voz,
Só o desejo de ainda te ter,
Só a vontade de dizer que te aceito em qualquer condição.
Mas não. Calarei essas ânsias,
Com a vaga esperança de que meus passos
Vão me guiar pra algo concreto,
Que meus novos laços
Vão me fazer sonhar
Com olhos não mais incertos.
Ignoro minhas lágrimas,
O punhal cravado no peito,
A vontade de gritar que de qualquer jeito
Quero estar ao seu lado.
Eu vou partir para aonde não quero
E, sinceramente, não sei o que espero
Além de teu ser entranhado em outra imagem.
Estive de passagem no teu reino
E o que furtei dele
Foi a certeza de que existem mais seres inseguros no mundo,
Além de mim.
Que sejamos, então, felizes assim:
Para nunca mais.
Nada mais tem voz,
Só o desejo de ainda te ter,
Só a vontade de dizer que te aceito em qualquer condição.
Mas não. Calarei essas ânsias,
Com a vaga esperança de que meus passos
Vão me guiar pra algo concreto,
Que meus novos laços
Vão me fazer sonhar
Com olhos não mais incertos.
Ignoro minhas lágrimas,
O punhal cravado no peito,
A vontade de gritar que de qualquer jeito
Quero estar ao seu lado.
Eu vou partir para aonde não quero
E, sinceramente, não sei o que espero
Além de teu ser entranhado em outra imagem.
Estive de passagem no teu reino
E o que furtei dele
Foi a certeza de que existem mais seres inseguros no mundo,
Além de mim.
Que sejamos, então, felizes assim:
Para nunca mais.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Vozes incertas
Estava no fim do corredor. As portas abriam e fechavam em diferentes ritmos. O breu e a claridade também se alternavam. Vozes ecoavam pela casa. Eram seres já mortos implorando pela paz que pensavam obter no juízo final, ou talvez fossem apenas alucinações que a alimentavam noite e dia.
Chegou ao ponto de não saber mais diferenciar ser vivo, morto, ou imaginário [ou seja lá o que for]. Ela mesma não sabia mais se era matéria ou uma espécie de espírito conturbado que também não sabia para aonde ir.
A verdade é que ouvia aquelas almas gritando, implorando pela paz que ela nunca teve e sentia-se como elas, a diferença é que estava sem voz.
O corredor vazio, as luzes apagando e ascendendo, as vozes cada vez mais altas ecoando pelo espaço e ela lá: no final, com os olhos que gritavam mais do que o coral de espíritos, procurando concretude onde não existia.
"Tenho medo", pensou, mas não temia as vozes e sim ela mesma. Não tinha mais controle de seus sonhos, de seus atos. Passou pelo corredor e sentiu, subtamente, o silêncio surpreso dos mortos [ou seja lá o que forem]. Seus poros exalavam cheiro de incerteza que chegava a assombrar suas próprias alucinações.
Abriu a porta de casa, olhou a rua vazia. As vozes da casa a acompanharam e no trajeto, também se juntaram as das esquinas. Subiu as escadas do prédio que fizera dela o ser mais feliz e infeliz simultaneamente nos últimos tempos. A cada degrau que subia, cravava em si um punhal imaginário [ou não] que lembrava todos os momentos quais não viveu, por não conseguir diferenciar ilusão de realidade. Naquele momento só pensava no adeus que nunca teve coragem de dar àquele homem.
"Tenho medo do que fiz ou do que não fiz até aqui". Chegou no corredor onde o conheceu. Nesse ponto, as vozes caladas estavam ainda mais assustadas: perderiam o único ser que podia alimentar a esperança de trazê-las paz. Chegou ao fim do corredor. Olhou para traz. Pediu [talvez mentalmente] perdão por sua incompetência. Lembrou a imagem do homem que a acompanhou até então. "Acho que gosto de você", disse, com a certeza [a única que tivera até então] de que ele não ouviria.
Sentiu a brisa dos nove andares. Dormiu. Acordou em casa. Gritou por alguém que estava no fim do corredor, mas esse não dizia nada. Só olhava... Sentiu seus poros cheios de incerteza e calou-se no momento em que o ser passou pelo corredor. Era ele, mas ainda não conseguia ouvir sua voz.
Chegou ao ponto de não saber mais diferenciar ser vivo, morto, ou imaginário [ou seja lá o que for]. Ela mesma não sabia mais se era matéria ou uma espécie de espírito conturbado que também não sabia para aonde ir.
A verdade é que ouvia aquelas almas gritando, implorando pela paz que ela nunca teve e sentia-se como elas, a diferença é que estava sem voz.
O corredor vazio, as luzes apagando e ascendendo, as vozes cada vez mais altas ecoando pelo espaço e ela lá: no final, com os olhos que gritavam mais do que o coral de espíritos, procurando concretude onde não existia.
"Tenho medo", pensou, mas não temia as vozes e sim ela mesma. Não tinha mais controle de seus sonhos, de seus atos. Passou pelo corredor e sentiu, subtamente, o silêncio surpreso dos mortos [ou seja lá o que forem]. Seus poros exalavam cheiro de incerteza que chegava a assombrar suas próprias alucinações.
Abriu a porta de casa, olhou a rua vazia. As vozes da casa a acompanharam e no trajeto, também se juntaram as das esquinas. Subiu as escadas do prédio que fizera dela o ser mais feliz e infeliz simultaneamente nos últimos tempos. A cada degrau que subia, cravava em si um punhal imaginário [ou não] que lembrava todos os momentos quais não viveu, por não conseguir diferenciar ilusão de realidade. Naquele momento só pensava no adeus que nunca teve coragem de dar àquele homem.
"Tenho medo do que fiz ou do que não fiz até aqui". Chegou no corredor onde o conheceu. Nesse ponto, as vozes caladas estavam ainda mais assustadas: perderiam o único ser que podia alimentar a esperança de trazê-las paz. Chegou ao fim do corredor. Olhou para traz. Pediu [talvez mentalmente] perdão por sua incompetência. Lembrou a imagem do homem que a acompanhou até então. "Acho que gosto de você", disse, com a certeza [a única que tivera até então] de que ele não ouviria.
Sentiu a brisa dos nove andares. Dormiu. Acordou em casa. Gritou por alguém que estava no fim do corredor, mas esse não dizia nada. Só olhava... Sentiu seus poros cheios de incerteza e calou-se no momento em que o ser passou pelo corredor. Era ele, mas ainda não conseguia ouvir sua voz.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Igual
De inicio, procurou refúgio na arte. Com o tempo começou a perceber que todos os artistas quais inspiravam ela, eram tristes, solitários, sombrios, desgastados pelas drogas que aliviavam um pouco a dor. Viu-se no mesmo estado: jogava nos poemas e em sua voz todo o nó entalado na garganta, mas a verdade é que quanto mais tentava expulsá-lo, mais ele se acumulava. Noites em claro declarando guerra aos injustos. Dias sem luzes, sem paz! Só chorava, só sentia uma angústia que parecia que ia explodir.
Encontrava-a sempre no bar tentando anestesiar o nó na garganta, a maldita dor que a surrava por inteira todos os dias. Era um misto de álcool, fumaça, histórias e revolução. Naquele dia, não quis se envolver. Resolveu reparar. Foi então que percebeu que de todos os caminhos, talvez aquele fosse o pior e, ao mesmo tempo, o único no qual encaixava sua maldita habilidade [a de gritar pros que não têm ouvidos]. Lembro-me que todos os que estavam com ela discursavam sobre a luta por igualdade, mas, ironicamente, queriam sempre se mostrar acima uns dos outros. Uma contradição que a infectou! Só que a diferença era: ela sabia que estava contaminada, era nítido em seus olhos, até na forma com que pegava o copo e engolia aos poucos aquele líquido que continuava sendo a única esperança de aliviar o nó. Observou o menino que chegara. Na mesma situação: tentava anestesiar a dor que sentia, a dor de estar vivo. Descalço, sujo, com tinta na mão e um pedaço de gesso. Um artista, como ela. Aproximou-se para mostrar seu grito. Os “companheiros” o viram chegando e, em suas mentes, eu ouvia os comentários: “mais um! Não vou solucionar o problema dele dando moedas, é preciso revolucionar”. Já ela, olhou-o com maior compaixão: “ele sou eu, feito do que sou feita, sobrevivente da dor”, deu o que tinha e sabia onde esse dinheiro ia parar. Os “companheiros” não concordaram: “atitude equivocada! Ele vai pegar a grana pra se drogar!”. De súbito ela pensou: “E o que estamos fazendo aqui?”, mas achou melhor não comentar, seria em vão. Eles eram os melhores, suas mentes talvez não teriam abertura pra pensamento inferior.
Decidiu partir. A segui. Notava-se de longe a confusão dos seus passos sem direção pelas ruas vazias. Ela gritava pelos olhos: “porque cheguei aqui se sabia que era um caminho falho? Será que terei que morrer de tanto berrar um nó que só aumenta, como os outros artistas?”... Ter consciência de qual será seu destino é triste, ainda mais quando não se enxerga outro caminho! O silêncio das avenidas ajudava os seus berros sem voz. Como seria possível uma igualdade, se a realidade onde estava inserida propunha [nas entrelinhas das mentes] uma hierarquia? Constatava olhando pros seus pés quase correndo, depois suas penas, braços, mãos, que o que estava tatuado nela, era tudo o que ela ia contra. Como arrancaria as marcas implantadas nela desde que nasceu? Como lutaria por algo que exterminaria o seu ser e o dos que a acompanhavam?
Viu-se diante do teatro onde iniciou sua vida artística. Pensou: “maldita hora que entrei aqui! Deram-me uma visão mais ampla e, de brinde, ganho um nó cada vez maior!”. Entrou. Relembrou todos os primeiros estímulos que a fizeram questionar a realidade, que a fizeram pensar. “Pensamento maldito”... Foi se acomodando. Adormeceu. Quando acordou olhou o redor, engoliu a saliva seca, que mal passava pela garganta ocupada, pegou a mochila, cumpriu seus deveres diários, e, ao anoitecer, deparou-se mais uma vez no bar, com os mesmos “companheiros”, os mesmos discursos e com o artista pintor na porta, jogado, morto, feliz. Não o perceberam. Fez o sinal da cruz e ascendeu um cigarro... “Logo vem a minha vez: eu triste, solitária, sombria, desgastada pelas drogas que aliviam um pouco a dor de estar onde não quero”.
Encontrava-a sempre no bar tentando anestesiar o nó na garganta, a maldita dor que a surrava por inteira todos os dias. Era um misto de álcool, fumaça, histórias e revolução. Naquele dia, não quis se envolver. Resolveu reparar. Foi então que percebeu que de todos os caminhos, talvez aquele fosse o pior e, ao mesmo tempo, o único no qual encaixava sua maldita habilidade [a de gritar pros que não têm ouvidos]. Lembro-me que todos os que estavam com ela discursavam sobre a luta por igualdade, mas, ironicamente, queriam sempre se mostrar acima uns dos outros. Uma contradição que a infectou! Só que a diferença era: ela sabia que estava contaminada, era nítido em seus olhos, até na forma com que pegava o copo e engolia aos poucos aquele líquido que continuava sendo a única esperança de aliviar o nó. Observou o menino que chegara. Na mesma situação: tentava anestesiar a dor que sentia, a dor de estar vivo. Descalço, sujo, com tinta na mão e um pedaço de gesso. Um artista, como ela. Aproximou-se para mostrar seu grito. Os “companheiros” o viram chegando e, em suas mentes, eu ouvia os comentários: “mais um! Não vou solucionar o problema dele dando moedas, é preciso revolucionar”. Já ela, olhou-o com maior compaixão: “ele sou eu, feito do que sou feita, sobrevivente da dor”, deu o que tinha e sabia onde esse dinheiro ia parar. Os “companheiros” não concordaram: “atitude equivocada! Ele vai pegar a grana pra se drogar!”. De súbito ela pensou: “E o que estamos fazendo aqui?”, mas achou melhor não comentar, seria em vão. Eles eram os melhores, suas mentes talvez não teriam abertura pra pensamento inferior.
Decidiu partir. A segui. Notava-se de longe a confusão dos seus passos sem direção pelas ruas vazias. Ela gritava pelos olhos: “porque cheguei aqui se sabia que era um caminho falho? Será que terei que morrer de tanto berrar um nó que só aumenta, como os outros artistas?”... Ter consciência de qual será seu destino é triste, ainda mais quando não se enxerga outro caminho! O silêncio das avenidas ajudava os seus berros sem voz. Como seria possível uma igualdade, se a realidade onde estava inserida propunha [nas entrelinhas das mentes] uma hierarquia? Constatava olhando pros seus pés quase correndo, depois suas penas, braços, mãos, que o que estava tatuado nela, era tudo o que ela ia contra. Como arrancaria as marcas implantadas nela desde que nasceu? Como lutaria por algo que exterminaria o seu ser e o dos que a acompanhavam?
Viu-se diante do teatro onde iniciou sua vida artística. Pensou: “maldita hora que entrei aqui! Deram-me uma visão mais ampla e, de brinde, ganho um nó cada vez maior!”. Entrou. Relembrou todos os primeiros estímulos que a fizeram questionar a realidade, que a fizeram pensar. “Pensamento maldito”... Foi se acomodando. Adormeceu. Quando acordou olhou o redor, engoliu a saliva seca, que mal passava pela garganta ocupada, pegou a mochila, cumpriu seus deveres diários, e, ao anoitecer, deparou-se mais uma vez no bar, com os mesmos “companheiros”, os mesmos discursos e com o artista pintor na porta, jogado, morto, feliz. Não o perceberam. Fez o sinal da cruz e ascendeu um cigarro... “Logo vem a minha vez: eu triste, solitária, sombria, desgastada pelas drogas que aliviam um pouco a dor de estar onde não quero”.
domingo, 11 de abril de 2010
Lixo de Tolo
Sou tola, como a dor que me constrói.
“Aonde cheguei, meu Deus?”, pergunto-me.
Sinto que a resposta é sempre a mesma:
”No lugar onde quiseste!”.
Parece peste esse interesse pelo que é vazio.
Não há anestésico que tire o sufoco de senti-lo.
Percebo meu corpo sombrio,
Meus pensamentos, meus olhos, meu útero, meu futuro filho [o poema].
Fico no dilema:
“Brigo comigo mesma, ou deixo que o nada percorra minhas veias
E faça do meu sangue veneno para as almas alheias?”.
Tenho medo de mim,
Do que posso aniquilar por estar me destruindo
Do que não posso levantar por ter base fraca
Do nó cada vez maior entalado na garganta
Querendo gritar palavras que só existem nos corações amargurados.
Os retratos que tenho tirado mostram sempre uma só flor,
Desbotada, com as pétalas caindo...
Assim tenho me sentido.
E cada pedaço meu que se vai, é uma punhalada que contrai meu corpo
E, de repente, percebo que o espaço que tenho ocupado é pouco
Diante da imensidão do vazio que abrigo.
Espero, então, a hora de me despetalar por inteira,
Pra que, talvez, eu me torne uma nova guerreira
E saiba lutar contra a besteira de se deixar levar pelo nada.
“Aonde cheguei, meu Deus?”, pergunto-me.
Sinto que a resposta é sempre a mesma:
”No lugar onde quiseste!”.
Parece peste esse interesse pelo que é vazio.
Não há anestésico que tire o sufoco de senti-lo.
Percebo meu corpo sombrio,
Meus pensamentos, meus olhos, meu útero, meu futuro filho [o poema].
Fico no dilema:
“Brigo comigo mesma, ou deixo que o nada percorra minhas veias
E faça do meu sangue veneno para as almas alheias?”.
Tenho medo de mim,
Do que posso aniquilar por estar me destruindo
Do que não posso levantar por ter base fraca
Do nó cada vez maior entalado na garganta
Querendo gritar palavras que só existem nos corações amargurados.
Os retratos que tenho tirado mostram sempre uma só flor,
Desbotada, com as pétalas caindo...
Assim tenho me sentido.
E cada pedaço meu que se vai, é uma punhalada que contrai meu corpo
E, de repente, percebo que o espaço que tenho ocupado é pouco
Diante da imensidão do vazio que abrigo.
Espero, então, a hora de me despetalar por inteira,
Pra que, talvez, eu me torne uma nova guerreira
E saiba lutar contra a besteira de se deixar levar pelo nada.
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